O MUSEU DO PENSAMENTO
Joana Bértholo
ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz

Editorial Caminho
Outubro de 2017

Este livro nasce de uma peça de teatro escrita para as Chapelarias Azevedo Rua na edição de 2014 do Festival Teatro das Compras, com Giacomo Scalisi e Miguel Fragata.

.

.

.

.

NA IMPRENSA

«Não é preciso recorrer ao estafado lugar comum da criança que todos temos dentro de nós (ups, já o fizemos...) para dizer que um bom livro infanto-juvenil existe para ser lido por todos. É o caso deste Museu do Pensamento. Com ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz, este volume revela-se numa estrutura algo caótica que serve muito bem o seu tema: o pensamento livre dentro das nossas cabeças. “Como é que se consegue na?o pensar em nada se estamos a pensar que estamos a pensar em nada? Uau, que grande confusão! Pois é, isto de pensar nunca acaba...”, lê-se a páginas tantas. Miguel, um “senhor muito bem vestido”, é o nosso guia neste “especialíssimo” Museu do Pensamento em forma de livro com muito mais perguntas do que respostas, excelente ponto de partida para a arte de filosofar. Ou, simplesmente, pensar.»

Pedro Dias de Almeida na Revista Visão, 4 de Outubro de 2017

.

«Museus, há-os de todos os tipos e para todos os gostos. Logo na primeira página deste livro, Joana Bértholo enumera uns quantos: Museu da Pedra, do Pão, do Papel, do Azulejo, da Água, do Ciclismo — uma lista que inclui quase tudo o que e? palpável e se pode colocar dentro de um mostrador ou pendurar numa parede. O museu para o qual a escritora nos convida, porém, é imaterial e só feito de palavras. Não exige um movimento exterior, mas interior, para dentro da cabeça. Porque é aí que o pensamento se forma e existe. Ou seja, este museu sem paredes coincide com o seu objeto: trata-se de um espaço bem pensado, onde se pensa de várias maneiras sobre o ato de pensar. Guiados por Miguel, um cicerone “muito bem vestido”, colocamo-nos no lugar do público invisível, que vai dando sinais da sua presença, das suas dúvidas e espantos. Jogando com as inventivas ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz, a autora do texto imita a deriva própria do pensamento deixado em roda livre, avançando por associação de ideias, com inesperados saltos argumentativos e súbitas revelações, muitas vezes expressas em concisos rasgos poéticos. Há espaço para muitas perguntas, para jogos, para paradoxos, para desafios difíceis (o de “(não) pensar em nada”, por exemplo: “Como é que se consegue não pensar em nada se estamos a pensar que estamos a pensar em nada...?”), e também para muitos chapéus e histórias de chapéus. Na verdade, este texto começou por ser uma peça de teatro, pensada (lá está) para o ‘palco’ provisório de uma chapelaria do Rossio, no âmbito de um festival que invade todos os anos várias lojas antigas da Baixa lisboeta. A adaptação da dramaturgia a livro infanto-juvenil tem a suas arestas, mas o espírito lúdico mantém-se. E se nem todos os pensamentos do livro são brilhantes, há um bom número de frases certeiras. Como esta: “Pensar é ter uma pergunta a fazer turismo na nossa cabeça e não conseguir convencê-la a voltar para o seu país.»

José Mário Silva na revista E, do jornal Expresso, a 23 de Setembro de 2017

.

«Uma obra original, escrita num tom coloquial e bem-disposto, a que se juntam ilustrações num registo que combina bem com a clareza da linguagem. Não sendo imagens óbvias (à excepção dos múltiplos formatos de chapéus), estimulam a imaginação e a reflexão. Arriscaríamos chamar-lhes “imagens filosóficas”. É que dão que pensar…»

Rita Pimenta no Público de 7 de Outubro de 2017

.

_ Rádio Amália, Conversa com António Vieira, no programa Madragoas, em Outubro de 2017
[ OUVIR ]